MCA Alumínios extrudados, trefilados e perfís de alumínios

Política industrial, urgência da nação

Adjarma Azevedo é presidente da Associação Brasileira do Alumínio (Abal)Nos próximos quinze anos, o Brasil mudará de patamar em termos de consumo de alumínio, atingindo um volume per capita próximo aos níveis atuais dos países mais desenvolvidos. Mas não é de hoje que esse mercado vem progredindo fortemente. Nos últimos cinco anos, a taxa média de crescimento do consumo doméstico de produtos de alumínio foi de 9,8% ao ano, puxada pela recuperação econômica do país e pelo aumento da renda da população. Hoje a demanda interna está em 1,5 milhão de toneladas/ano, o que coloca o Brasil entre os dez maiores mercados de consumo do metal.

 

Mantidas as perspectivas de crescimento econômico brasileiro, baseadas na maior mobilidade social e consumo, aliado a uma série de investimentos públicos e privados esperados e necessários ao país, o consumo doméstico de alumínio será o triplo do volume atual em 2025, segundo já indicam estudos elaborados para a Associação Brasileira do Alumínio (Abal).

 

Para atender a esse volume preconizado pela Abal, a cadeia produtiva do alumínio, que na última década investiu mais de R$ 30 bilhões no país, continua aportando recursos. Para atender ao mercado com as 4,5 milhões de toneladas previstas para 2025, as etapas de fabricação de alumínio primário e secundário, de produtos semimanufaturados e transformados do metal precisarão investir mais de R$ 60 bilhões em ampliação de capacidade produtiva, tecnologia e recursos humanos, o que permitirá a criação de 250 mil novos postos de trabalho.

 

Trata-se de uma grande oportunidade para o nosso setor e para o país. Mas também existem enormes desafios, pois da mesma forma que se vivencia um momento excelente para negócios, a indústria sofre com a pressão dos custos de produção, com a perda de sua competitividade e com a ameaça crescente dos produtos importados. Fatores que, reunidos, podem levar à desestruturação de toda cadeia produtiva.

 

Para suprir as 4,5 mi de toneladas previstas para 2025,
o setor deverá investir mais de R$ 60 bi em ampliação
da capacidade produtiva, tecnologia e recursos humanos

 

Entre os desafios, está o de manter a indústria abastecida com matéria-prima no curto prazo, pois não existem investimentos anunciados na produção de alumínio primário, uma vez que o Brasil está entre os países com os mais elevados preços de energia para a indústria. Motivo que poderá levar o país, muito em breve, à condição de importador do metal.

 

Simultaneamente, o Brasil desponta na geografia mundial com toda uma pujança que contrasta com a crise econômica que avassala boa parte do mundo, nos tornando, assim, um atraente mercado para ser conquistado pelas importações. Como consequência, se não existir um maior controle desse aumento exponencial das importações e se as empresas brasileiras continuarem sem condições de competir com o item importado, estaremos destruindo nossa indústria, afetando inclusive a atividade de reciclagem, resultando em perda de postos de trabalho e de tudo o que já foi investido, enquanto assistimos ao crescimento do consumo brasileiro sendo capturado pelo produto importado.

 

Por conta disso, a Abal tem intensificado a gestão em defesa da cadeia produtiva, pleiteando melhores condições que permitam à indústria manterse no rumo do crescimento contínuo. A Abal acredita que somente a adoção de uma política industrial de longo prazo poderá assegurar que esse promissor mercado doméstico seja atendido, em sua grande parte, pelas empresas brasileiras, preferencialmente com alumínio brasileiro, garantindo a sustentabilidade da nossa indústria e do nosso país.

Fonte: http://www.revistaaluminio.com.br/recicla-inovacao/31/politica-industrial-urgencia-da-nacao-so-a-adocao-de-260197-1.asp – Acessado em 10/07/12